quinta-feira, 29 de abril de 2010

Pesquisa se despede de Itacoatiara (AM) e vê os estragos da cheia de 2009

Seguindo contra o fluxo do Amazonas após as rotas realizadas em Nova Sião e Santa Maria do Taboca, o barco Natureza chegou à Ilha de Januário e atracou à margem de Conceição I, comunidade que fica na face sul dessa ilha. A região fica no oeste do município de Itacoatiara, próximo à divisa com Manaus. Na terça-feira, dia 27, a pesquisa acompanhou uma rota escolar que leva alunos à escola municipal Eduardo Gomes, em Conceição I, e outra cujo ponto final é a escola Coelho Neto, na comunidade de São Sebastião, do outro lado do rio Amazonas.
São Sebastião fica em uma costa do Amazonas conhecida popularmente como Varre-Vento, certamente devido aos fortes ventos que ajudam a agitar as águas do rio. Assim como Conceição I, se trata uma comunidade simples com pouca estrutura, e só agora está ocorrendo a instalação de postes elétricos como parte do programa Luz para Todos, do Governo Federal.
Por enquanto a energia é gerada por motores de luz, como em diversas outras comunidades - inclusive as da Ilha do Januário. A prefeitura costuma mandar o diesel para o funcionamento desses motores, mas há sempre um horário definido pela comunidade para que eles sejam desligados.
Em Conceição I, as marcas da grande cheia de 2009 ainda são evidentes, principalmente na escola local. A marca da água passa de 1 metro de altura nas paredes de alvenaria, e a maioria das portas e janelas foi quebrada ou arrancada pela força do rio. Mesmo assim, com salas que não podem ser trancadas à noite, a escola segue funcionando. O esforço dos professores, funcionários, alunos e pais é o que faz as aulas acontecerem.
Portas de salas foram arrancadas ou quebradas pela cheia de 2009 em Conceição I.
Parte do material novo já foi recebido, mas não instalado. Fotos: Fábio Tito
Paixão pelo ensino
Apenas dois professores dão aulas nos turnos matutino e noturno em Conceição I. Eles são responsáveis, sozinhos, pelo ensino de 1º ao 9º ano em turmas multisseriadas e com o auxílio de DVDs do Telecurso. O aparelho de DVD foi doado pela família de uma aluna, e a TV, por um barqueiro local. Do ano passado para este, a escola saiu de apenas 20 alunos para 72 matriculados.
Lucinei Pacheco Farias, de 42 anos, é barqueiro da comunidade e atribui o aumento das matrículas à chegada de Paulo Roberto Oliveira de Souza, o professor Paulo. "Ele chegou à comunidade no final de 2009, e pouco depois já saiu de porta em porta fazendo a matricula dos alunos pro ano seguinte. Eu o ajudei nesse trabalho", explica o barqueiro.
O professor Paulo, de 35 anos, conta que esse serviço voluntário foi necessário para mostrar que a região possuía mais alunos que precisavam da escola, mas eles acabavam se deslocando até colégios mais distantes para estudar. "A escola estava abandonada, em grande parte por causa da administração da comunidade. Muitos moradores reclamam da atuação do presidente", afirma.
Professorzão: Paulo Roberto na escola em Conceição I e dando
aula como voluntário em São Sebastião. Fotos: Fábio Tito
Além de atuar como um dos dois professores em Conceição I, Paulo também trabalha voluntariamente à tarde na escola de São Sebastião, do outro lado do rio Amazonas. Ele chega a dar aulas durante 12 horas por dia. "Muitas vezes não consigo almoçar direito, não dá tempo. Mas é um esforço que vale a pena", afirma. A comunidade agradece. "Quando ele teve problemas com o presidente e pediu transferência, a comunidade se mobilizou e pediu que ele ficasse", conta o barqueiro Lucinei.
O presidente da comunidade, Damião da Silva Lima, foi procurado para comentar as reclamações dos moradores, mas ele não estava em casa no dia em que a equipe atuou na região.
Por Fábio Tito, de Itacoatiara

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Percurso estreito em uma rota escolar e os remédios caseiros de Maria das Dores

Após passar o sábado, dia 24, na sede de Itacoatiara (AM), os pesquisadores se dirigiram já no domingo para o oeste do município, e visitaram as comunidades de Nova Sião e Santa Maria do Taboca.
Em Nova Sião, a rota escolar acompanhada passa por trechos estreitos, que o barqueiro faz em uma canoa com um motor de rabeta. Apesar das dificuldades devidas ao maior tamanho e ao motor de popa, a lancha escolar proposta pelo MEC conseguiu cumprir o trajeto de entrega dos alunos sem maiores problemas. Veja abaixo os trechos do percurso do barco local e da lancha passando por uma parte desta rota.
video
Santa Maria do Taboca fica dentro de uma reserva indígena à beira do rio Urubu, e é habitada por descendentes das tribos Mura (predominante) e Sateré. Azamor da Cruz Rosa Filho, de 33 anos, é o líder comunitário local há dez anos e explicou um pouco sobre a reserva indígena. "São 10 comunidades indígenas na região. A escola de Santa Maria do Taboca possui 70 alunos, tanto da própria comunidade quanto de Nova Jerusalém do Maquira, do outro lado do rio", afirma. Dos 70 estudantes, 45 usam o transporte escolar de barco para ir estudar.
Rota em Santa Maria do Taboca: à esquerda, a filha da barqueira ajuda
nas manobras de chegada e saída com um remo. De longe, o pequeno
barco já cheio parece sumir na água. Fotos: Fábio Tito
Tradição do passado, adaptada
A mãe de Azamor é Maria das Dores Rosa, de 74 anos. Sua simples casa de madeira possui apenas um cômodo - de um lado o fogão, do outro uma mesa e três cadeiras. Se falta lugar para sentar, o bujão de gás faz o serviço. As redes ficam esticadas no teto para não atrapalhar o trânsito das pessoas, e visita ali é o que não falta. "Além dos filhos e netos, os vizinhos também sempre passam para bater papo", conta a senhora.
As muitas amizades se devem não só à simpatia da mulher, mas também a um certo serviço que ela presta a quem precisa, como avisou o filho. "Ela é muito boa em fazer remédios caseiros. E funcionam mesmo!", afirma Azamor. Dona Maria confirma: "Sempre funcionou - desde a primeira vez que fiz, aos 17 anos. É como um dom de Deus, sabe?"
Mas se as curandeiras índias de antigamente acreditavam nos espíritos da natureza, Maria das Dores tem crenças diferentes. Ela é evangélica, e volta-e-meia cita trechos ou histórias da Bíblia. "Me converti aos 37 anos, mas acredito que mesmo antes disso era Deus quem me mostrava os remédios para as doenças", diz.
Dona Maria das Dores, especialista em remédios caseiros.
Segundo ela, a inspiração vem de Deus. Foto: Fábio Tito
Aos 17 anos de idade, ela conta que sua mãe adoeceu de febre por cinco dias seguidos, o corpo começou a inchar e ela não conseguia mais comer. "Eu estava caminhando no sítio do meu tio e vi uma planta que me chamou atenção. Veio na minha mente uma voz dizendo que aquele era o remédio para a minha mãe. Foi o primeiro milagre que Deus fez na minha vida", afirma. Dona Maria explica que preparou um banho quente com uma planta rosa, conhecida na região como "quina". Logo depois do banho a mãe já conseguia caminhar novamente, e melhorou por completo dentro de pouco tempo.
Tirando uma ou duas receitas que aprendeu da boca do povo, a mulher afirma que é sempre Deus quem mostra a planta e a maneira de prepará-la. Em uma breve conversa, ela conta de gente febril sendo curada com folhas de mangueira, tuberculosos tratados com agrião, e por aí vai. "Deus usa os filhos dele de diversas maneiras. Se ele me deu um dom, eu vou usá-lo para falar de Jesus às pessoas através disso", afirma a senhora.
Por Fábio Tito, de Itacoatiara

terça-feira, 27 de abril de 2010

Rotas escolares em Itacoatiara (AM) e os negócios de um novo empreendedor

O segundo município amazonense a ser visitado pela pesquisa de Transporte Escolar Rural foi Itacoatiara. O barco Natureza chegou ao porto na noite de quarta-feira, dia 21, após sair de Urucará no início da tarde subindo o rio Amazonas.
A cidade é uma das maiores do estado, com quase 90 mil habitantes, segundo o IBGE. São 140 escolas no interior do município e 17 na sede. Itacoatiara significa "pedra lavrada" em tupi, e o nome teve origem em uma rocha com escritos antigos encontrada no local, à margem do rio Amazonas. Durante o final da semana ocorreram as comemorações do aniversário de 136 anos de Itacoatiara, cuja data principal foi o dia 25 de abril, domingo.
A "pedra lavrada" que deu origem ao nome da cidade.
Supõe-se que os escritos foram feitos por jesuítas - e não por
índios nativos, como muitos acreditam. Foto: Fábio Tito
Na quinta-feira, a equipe se reuniu com o secretário municipal de Educação, Claudemilson Santos de Oliveira; o coordenador de transporte escolar, Celson Vilaça de Freitas; e Emanuel Viana de Souza, chefe de gabinete do prefeito da cidade. Após a apresentação do projeto, a programação das rotas a serem acompanhadas envolveu a ajuda de diversas pessoas da Secretaria Municipal de Educação, entre barqueiros, professores e subsecretários que conhecem bem as dificuldades da região.
Sentado à esquerda, o secretário de Educação do município
conversa com os pesquisadores sobre as rotas escolares. Diversos atores
da secretaria participaram da reunião. Foto: Fábio Tito
Ainda na tarde do mesmo dia, o barco da pesquisa se dirigiu à região do rio Arari, no sudeste do município, para fazer contato com barqueiros e combinar as rotas do dia seguinte. Duas escolas foram visitadas na sexta-feira (23), nas comunidades de Nossa Senhora de Fátima e Santa Rosa. Em Nossa Senhora de Fátima vive seu Santino, ex-barqueiro que fez o transporte de alunos na região por 11 anos. Agora ele se aventura pela primeira vez no comércio, em uma pequena mercearia que abriu dentro da própria casa.
A escola da comunidade de Nossa Senhora de Fátima.
Antes do início das aulas, crianças ficaram curiosas
com a presença dos pesquisadores. Fotos: Fábio Tito)
Novo empreendedor
Santino Lira Peixoto, de 46 anos, fica emotivo ao contar por que não é mais transportador escolar. "Um outro barqueiro achou que meu salário era bom, porque eu sempre ajudei quem precisa. Ele fez uma ata na comunidade dele pedindo que entrasse em meu lugar, foi uma confusão. Eu acabei abrindo mão e me afastei", afirma. Segundo ele, o salário líquido era de R$ 600, mas ele ainda tinha que pagar pelo combustível para o transporte. Isso implicava em um gasto de R$ 200 todo mês.
Para complementar a renda, o homem trabalhava em uma roça atrás da comunidade. "Enquanto os alunos tinham aula, eu ia para lá cuidar da roça. Fazia farinha de mandioca e vendia duas ou três sacas por mês em Itacoatiara, cada uma a R$ 180", conta. Uma saca tem volume de 80 litros.
Agora, no entanto, a preocupação maior de Santino é com a mercearia no térreo de sua casa, ao lado da escola de Nossa Senhora de Fátima. Ainda mais porque ele é iniciante no ramo do comércio, e está aprendendo na prática. "Sempre quis abrir um comércio aqui, até para facilitar a vida dos moradores. Comecei comprando os produtos que percebia que a comunidade precisava mais. E quando pediam algo que eu não tinha, avisava logo que na semana seguinte haveria", explica.
De olho nos negócios: Santino anota os pedidos da comunidade
para saber o que oferecer em sua mercearia. Foto: Fábio Tito
Os campeões de venda são os dindins e refrigerantes para alunos do colégio, e alimentos como frango congelado, linguiça e ovos para as famílias da comunidade. Em um mês, o investimento inicial já foi recuperado. E parece que Santino já pegou a visão necessária a um bom empreendedor. "Quero começar a comprar frutas da comunidade para vender em Itacoatiara (sede), tenho um cunhado lá que é feirante. Assim ganho dos dois jeitos, levando para lá e trazendo para cá", planeja, animado.
Por Fábio Tito, de Itacoatiara

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Animais de estimação peculiares em Urucará (AM)

Durante a visita a comunidades do interior de Urucará, ficou claro que muitas famílias têm o hábito de criar animais da floresta por simples prazer. Eles são criados soltos, e as crianças são as que mais se divertem. Elas não demoram a trazer seus bichos para a frente da câmera, empolgados com a atenção.

Crianças do interior de Urucará mostram seus bichos de estimação:
um papagaio e filhotes de periquito. Foto: Fábio Tito
Mas o animal que mais surpreendeu não foi periquito nem papagaio. Chiquita é uma macaquinha aranha (espécie chamada de "cuatá" na região) de um ano de idade, que sobreviveu milagrosamente após sua mãe ser morta por um caçador, como conta sua dona.
Quando a macaquinha chegou à sua nova casa, ainda cabia na palma da mão e sequer tinha pelos. Um ano depois, ela já é parte da família. Com mais de meio metro de altura, ela brinca com as crianças, assiste à novela no colo da "mãe adotiva", faz uma bagunça e tanto. "É realmente como uma criança, cuidar dá trabalho. Ela mexe em tudo, é super curiosa", conta a mulher.
Chiquita vive solta, e às vezes se aventura em alguma árvore próxima da casa. Mas diante da câmera, ela é só timidez. Corre para se esconder em sua pequena rede, armada sob uma mesa de canto, e começa a balançar. Segundo a dona, aquele é seu lugar preferido. Sob o olhar da visita, ela só sai de lá quando oferecem a mamadeira.
Chiquita, a macaca aranha criada solta por uma família no interior do Amazonas. Com
1 ano de idade, ela toma mamadeira e dorme em sua própria rede. Fotos: Fábio Tito
Perto da "mãe", o rabo logo se entrelaça às pernas da mulher, buscando proteção. "Meu medo é do ciúme que ela tem, estou grávida de oito meses e não sei como ela vai reagir ao bebê", diz a dona.
Por Fábio Tito, de Urucará

Rotas escolares em Urucará mostram variedade nos desafios a serem superados

Após uma noite de trabalho acompanhando rotas escolares noturnas na região do Comprido, interior do município de Urucará (AM), os pesquisadores fizeram na manhã de terça-feira (20) a rota com mais alunos vista até o momento. O barco Princesa Marcia chega a levar diariamente mais de 60 alunos de comunidades na região do igarapé do Comprido até a escola municipal agrícola Sheila Falabella.
O barqueiro precisa sair de casa às 4h10 para cumprir a rota antes do início das aulas, o trajeto leva em torno de 2 horas e 30 minutos. Não é de se espantar que o homem reclame da dificuldade em manter a disciplina em meio a tantos estudantes, e por um período tão longo. "Ele contou que geralmente a viagem é uma bagunça, uma festa. Realmente são muitos adolescentes, é difícil de controlar", conta o pesquisador Marcelo Bousada.
A quantidade de alunos transportados no dia estava um pouco abaixo da média: eram 54. Mesmo assim, o caminho de volta não foi feito por uma, mas pelas duas lanchas escolares da pesquisa. Essas embarcações, que são protótipos sugeridos pelo Ministério da Educação, possuem apenas 20 lugares individuais.
A exceção de uma rota com tantos alunos transportados tornou necessário
usar as duas lanchas escolares para o trajeto de volta. Fotos: Fábio Tito
Na tarde do mesmo dia, o barco Natureza saiu com os pesquisadores já em direção às comunidades de Sol Nascente e Sororoca, que ficam em uma região de lagos. Mesmo com o feriado do dia seguinte, 21 de abril (Tiradentes), a secretária municipal de Educação explicou que as aulas seriam normais. "Tivemos um atraso no início das aulas este ano, por isso os feriados estão sendo usados para reposição", afirma Maria Jacira.
Troncos de árvore complicam o trajeto no Amazonas. Muitos são frutos de deslizamentos.
Fotos (da esq. para a dir.): André di Monaco, Fábio Tito e Diego Baravelli
A maior dificuldade das rotas acompanhadas na quarta-feira é que as duas têm que passar pelo rio Amazonas. Nesta época do ano, o rio está na cheia e seu leito é preenchido por troncos e vegetação de margens alagadiças ou de deslizamentos. "Tivemos que sair às 4h, ainda no escuro e chovendo, para nos encontrarmos com o barqueiro. Cruzar o Amazonas sob essas condições foi bastante tenso", afirma a pesquisadora Amanda Odelius.
Por Fábio Tito, de Urucará

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Urucará, primeiro município no Amazonas a ser visitado pela pesquisa

Os pesquisadores da pesquisa de Transporte Escolar Rural chegaram no último sábado (17) a Urucará, primeiro município amazonense da expedição. O caminho de Faro (PA) a Urucará foi feito saindo do rio Nhamundá e adentrando o rio Amazonas, subindo contra seu fluxo.
O porto de Urucará, no qual o barco Natureza
atracou durante o final de semana. Foto: Fábio Tito
A sede de Urucará fica localizada no extremo sul do município, assim como ocorre em Faro e Óbidos. Isso porque é ao sul desses municípios que passa o rio Amazonas, concentrando comércio e tráfego na região. Urucará fica à margem de um braço do rio Amazonas, chamado de paraná de Urucará.
Já no sábado de manhã, os pesquisadores receberam a secretária municipal de Educação, Maria Jacira, e o coordenador de transporte escolar, Manoel Benvindo, para uma reunião no barco Natureza. Após a apresentação da pesquisa e a programação das rotas a serem acompanhadas a partir do início da semana, foram feitas as entrevistas com os dois gestores e o levantamento da infraestrutura de Urucará.
Na folga de sábado à tarde, os pesquisadores conheceram a região de Taboari Grande, a oeste da sede do município. Segundo os locais, as margens arenosas são ainda mais extensas e bonitas durante a seca do rio.
O barco Natureza seguiu na segunda-feira (19) à tarde em direção às comunidades de São Lázaro e Nazaré, que ficam à beira do igarapé do Comprido, a leste da sede de Urucará. Lá, pela primeira vez a pesquisa acompanhou rotas noturnas. A possibilidade de ter aulas à noite foi o que fez Orlando dos Santos Serrão, agricultor de 46 anos, voltar a sonhar com a graduação do Ensino Médio.

Carapanãs e aula virtual
São 18h05 no horário do Amazonas quando Orlando entra com sua filha no barco escolar que os leva até a escola Nossa Senhora de Nazaré, na comunidade de Nazaré. Parece ser o horário de pico dos "carapanãs", vorazes mosquitos de beira de rio comuns em toda a região amazônica. O caminho no escuro é guiado pela lanterna de um dos filhos do barqueiro, que vai no bico do barco mirando obstáculos como tapagens ou troncos para alertar o pai. O silêncio é quebrado seguidamente pelo estalar das palmas matando carapanãs - nas pernas, nos pés, nos braços.
Orlando (dir.) adentra o barco escolar pouco antes de escurecer. À direita,
o filho do barqueiro ajuda iluminando o caminho no rio. Fotos: Fábio Tito
À porta da escola, Orlando conta que está na mesma série de Kiara, de 22 anos, única mulher dos quatro filhos do agricultor. "Estamos no último ano do Ensino Médio, em dezembro se Deus quiser nos formamos", diz o homem, animado. Seu único pesar é não estar acompanhado da esposa, Maria Eomelina dos Reis Pantoja. Ainda jovens, os dois pararam de estudar na 5ª série. Voltaram quando apareceu a oportunidade de estudar à noite na própria comunidade, quase 20 anos depois. "Fizemos juntos até a 8ª série e ela parou. Mas eu e minha filha continuamos, e tentamos convencê-la a voltar", afirma o marido.
Orlando e a filha, Kiara, no corredor da escola. Os dois pretendem se
formar no Ensino Médio ainda este ano. Foto: Fábio Tito
Enquanto isso, de dentro da sala soa uma melodia já conhecida dos alunos. É o hino do Amazonas, apresentado antes de cada aula. Quem observa a classe percebe que os olhos estão fixos não no professor, mas num grande monitor de tela plana. É uma turma de Ensino Presencial com Mediação à Distância, que assiste ao vivo à explicação sobre polinômios dada pela professora de matemática, transmitida direto de Manaus. O professor assistente em sala presta atenção à aula tanto quanto os alunos, e tira dúvidas nos momentos de exercícios. Uma webcam filma o ambiente, monitorado de Manaus assim como diversas outras turmas do município.
O professor assistente tira dúvidas
nos exercícios. Foto: Fábio Tito
"Foi uma ideia muito boa para gente simples como nós. Eu pude voltar a estudar sem parar com o trabalho, e minha filha não precisou ir para Urucará (sede) cursar o Ensino Médio", comenta Orlando. Segundo ele, é necessário um mínimo de 15 alunos para manter uma turma funcionando. "Não é difícil conseguir esse número aqui na comunidade, só espero convencer minha esposa a voltar no ano que vem. O conhecimento é muito importante para qualquer pessoa, independente do trabalho", afirma o agricultor.
Por Fábio Tito, de Urucará

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Pesquisa acompanha as últimas rotas escolares no estado do Pará

Ainda na tarde de quarta-feira, dia 14, o barco Natureza se deslocou subindo o rio Nhamundá, no município de Faro (PA). O objetivo era chegar até um ponto intermediário entre as comunidades de Aibi e Mabaia, aonde os pesquisadores iriam em lanchas separadas para combinar o acompanhamento das rotas escolares do dia seguinte.

Os pesquisadores acompanharam o nascer do sol à beira da casa
de um barqueiro em Aibi, no município de Faro. Foto: Fábio Tito
Acabou-se descobrindo que não haveria aula na escola de Mabaia, e a única opção dos pesquisadores foi então acompanhar duas rotas diferentes para o mesmo colégio, em Aibi. A equipe acordou às 4h de quinta-feira (15) para encontrar os barqueiros no início das rotas, mas acabou tendo que esperar 1 hora além do combinado. Os condutores falaram do horário de saída referindo-se ao que eles chamam de "horário antigo", o mesmo seguido no Amazonas. Poucos anos atrás, o Pará teve seu horário atrelado ao de Brasília. Muitas comunidades do interior, no entanto, reclamam da mudança e algumas até continuaram seguindo o horário antigo.
Já no período da tarde, o barco da pesquisa seguiu em direção a Ubim e Maracanã, comunidades vizinhas mais próximas à sede de Faro. "As duas vilas possuem infraestrutura pouco mais desenvolvida que Aibi, provavelmente pela proximidade à sede e a Nhamundá", afirma o pesquisador André di Monaco. Nhamundá, além de ser o nome do rio, é também o nome de um município vizinho - e de sua sede, por tabela. As sedes de Faro e Nhamundá ficam próximas uma à outra.
Crianças da comunidade de Aibi aprovam a lancha escolar proposta pelo MEC. Foto: Fábio Tito
Merendeiras sem merenda
Em Ubim, comunidade habitada por em torno de 100 famílias, a escola Nossa Senhora de Fátima é comandada pelo gestor Éder Jofre Medeiros Pimentel, de 33 anos. Lá estudam 145 alunos do maternal à 8ª série, nos turnos matutino e vespertino. O gestor falou sobre um problema verificado em diversas outras escolas do estado, que é resolvido em parte pela iniciativa dos funcionários e alunos do colégio.
"Neste ano ainda não recebemos merenda escolar. Ela costuma vir apenas três ou quatro vezes por ano, e não dura sequer um mês quando chega", diz Éder. Segundo ele, os professores acabam juntando dinheiro entre si ou trazem frutas de casa para que haja merenda pela menos uma vez na semana, geralmente às sextas-feiras. "E quando tem aniversário de algum professor, os próprios alunos se juntam e pedem autorização para usar o forno da escola e fazer um bolo", acrescenta o gestor da escola.
O gestor, Éder, e as merendeiras, Gracenilda e Marta. A escola só
recebe merenda três ou quatro vezes por ano. Foto: Fábio Tito
A ironia é que, mesmo sem receber a merenda da prefeitura, o turno matutino do colégio é atendido por duas merendeiras concursadas - Gracenilda Rocha da Costa e Marta Helena Moraes Guerreiro. "Na maior parte do tempo trabalhamos como serventes, limpando salas e banheiros", conta Gracenilda. Ao mostrar uma panela usada pela última vez no ano passado, Marta limpa as teias de aranha que surgiram no fundo. "É tanto tempo sem usar que dá nisso", explica a merendeira.
Por Fábio Tito, de Faro

Pesquisadores chegam a Faro, último município do Pará no roteiro da expedição

O barco Natureza saiu de Óbidos (PA) na tarde de terça-feira, dia 13, e seguiu subindo o rio Amazonas até entrar pelo rio Nhamundá, à margem do qual se encontra a sede do município de Faro (PA). A viagem durou 12 horas, e a embarcação passou a noite ancorada em frente à prefeitura municipal. Faro é a última parada da expedição no estado do Pará; os sete municípios restantes fazem parte do Amazonas.

O secretário Valdinei Gomes Costa em entrevista à
pesquisadora Ana Paula Antunes. Foto: Fábio Tito
Na manhã de quarta-feira (14), os pesquisadores se reuniram com o secretário municipal de Educação, Valdinei Gomes Costa, e com o prefeito de Faro, Denilson Batalha Guimarães. Após a apresentação do projeto e a programação das rotas escolares a serem acompanhadas nos dias seguintes, os pesquisadores conheceram por acaso o barqueiro da comunidade de Português, que fica a algumas horas de barco da sede do município, na região chamada de Alto Nhamundá.
Alonso Guerreiro, de 46 anos, havia se deslocado até a sede para sacar seu salário - que por sinal não havia sido depositado. Ele informou que uma professora da escola de Português também estava em Faro, e por isso não haveria aula lá no dia seguinte. Isso provocou mudança na programação das rotas a serem acompanhadas, mas também permitiu que Alonso contasse ao repórter do blog TER Pesquisa um pouco de sua história.

Pouco dinheiro e família grande
O atraso no salário, segundo o barqueiro Alonso Guerreiro, não é a única dificuldade que ele enfrenta. “A prefeitura também fornece a gasolina para o transporte escolar, mas não em quantidade suficiente. Eles dão 20 litros, e isso só dá para metade do mês”, afirma. Ele explica que tira do próprio bolso o dinheiro para comprar os outros 20 litros de combustível gastos em 30 dias. O litro da gasolina é vendido a R$ 4 em Português, o que significa um gasto de R$ 80 para Alonso.
O barqueiro é casado com Maria do Carmo da Silva Forte, de 47 anos, e eles vivem com sete de seus 11 filhos. O salário do pai da família é de R$ 510, e é complementado por R$ 167 do programa Bolsa Família, recebido pela mãe. Eles também costumam vender farinha de mandioca. “O salário é muito pouco para uma família tão grande. E agora está ainda mais difícil, porque não tem dado mandioca como antigamente”, conta Maria do Carmo.
Alonso (esq.) e Maria do Carmo (centro), com cinco dos sete filhos
que moram com o casal. A família foi até a sede de Faro para
buscar o salário do pai, que não saiu. Foto: Fábio Tito
A mulher conta também do filho Jeremias, que parou de estudar. “Ele tinha que remar uma hora e meia para assistir as aulas, porque não tinha transporte até a escola em que ele estava matriculado. Quando chegava, já não tinha nem ânimo para prestar atenção na aula. E depois ainda tinha o caminho de volta”, relata a mãe.
Outro de seus filhos, Salomão, foi mandado para morar com a tia na comunidade de Terra Santa para cursar o Ensino Médio (em Português, o ensino é até a 8ª série). “Lá as escolas são melhores. Eu sempre falo para ele caprichar nos estudos, para que tenha um futuro melhor”, conta. A Bíblia diz que Salomão foi um dos homens mais sábios da história. Se depender do nome, o filho de Alonso e Maria tem tudo para alcançar um futuro brilhante.
Por Fábio Tito, de Faro

Rotas escolares em Óbidos e a vida de um aluno cadeirante

A primeira atividade programada para a segunda-feira, dia 12, foi o encontro com o vice-prefeito de Óbidos, Rudimar Cardoso. Todos os pesquisadores de campo participaram da reunião, voltada principalmente para apresentar a pesquisa e posteriormente entrevistar o vice-prefeito, que então respondia como prefeito em exercício. Após a reunião, apenas Marcelo Bousada ficou para aplicar a entrevista, pois os outros pesquisadores tiveram que partir para preparar a saída das lanchas.
Alunos da escola Ruy Barata, em Mamauru, sentados
na escada do colégio. Foto: Diego Baravelli
As rotas acompanhadas eram no período vespertino, mas foi necessário sair ainda durante a manhã para acompanhar o trajeto dos barqueiros até escolas nas comunidades de Mamauru e Castanhanduba, na área de Igarapé Grande, a leste da sede de Óbidos. Importante observar que Castanhanduba é uma vila comunitária quilombola.
Após passar boa parte do dia no convívio das comunidades, os pesquisadores perceberam uma atitude diferente nas crianças. "Andando com um agente de saúde local, crianças bem pequenas vieram pedir a benção ao homem. Em seguida elas me cercaram fazendo o mesmo, estendendo as mãozinhas para mim", conta a pesquisadora Amanda Odelius. Desconsertada, ela não soube inicialmente como reagir ao costume local, mas logo pegou o jeito.
Na terça-feira, dia 13, quatro dos cinco pesquisadores precisaram madrugar para acompanhar rotas matutinas na comunidade de Silêncio e novamente em Mamauru. Como Castanhanduba, Silêncio também é um quilombola. Enquanto isso, a pesquisadora Ana Paula Antunes e o representante do blog TER Pesquisa foram conhecer Neilson Farias Ferreira, único aluno cadeirante do município.

Obstáculos para estudar
Aos 17 anos, Neilson acabou de cursar a 4ª série. Como sua casa fica na várzea do município, onde o calendário é adaptado à cheia do rio, ele começará a 5ª série ainda este ano, mas no segundo semestre. "Só comecei a estudar aos 12 anos, o que está fora do padrão estabelecido pelo MEC. O certo seria ter começado aos 6", afirma. Segundo o adolescente, o governo municipal atual deu mais condições para que ele conseguisse acompanhar os estudos.
Durante o período de aulas, o pai e o barqueiro precisam ajudá-lo a entrar e sair do barco, já que não há uma entrada adaptada. "E na escola os colegas também sempre me ajudaram bastante", lembra o aluno. A equipe da pesquisa levou o garoto para conhecer e dar um passeio na lancha usada como protótipo nas comunidades. "Como o barco, ela também não possui adaptação para cadeirantes, e isso deve ser levado em conta pela pesquisa", diz Marcelo Bousada, líder dos pesquisadores.
Na casa da avó, Neilson não faz questão de usar a cadeira-de-rodas.
O pai o ajuda no caminho até a beira do rio. Foto: Fábio Tito
O que Neilson gosta mais de fazer é ler. "Gosto do Menino Maluquinho, almanaques do Chico Bento... Também leio muito a Bíblia e livros de cantos (religiosos)", diz. Bem articulado e com excelente memória, ele comenta sobre política citando nome e sobrenome de ministros, senadores, deputados e políticos locais. Mas garante que não tem interesse em cargos públicos. "Quero ser advogado. Acho que muitas pessoas são prejudicadas porque não conhecem seus direitos", afirma o jovem.
Por Fábio Tito, de Óbidos

terça-feira, 13 de abril de 2010

Pesquisa chega a Óbidos, cidade mais portuguesa da linha do Equador

O retorno à sede do município de Santarém (PA) foi feito na noite de quinta para sexta-feira, dia 8 de abril. De lá viajaram para Brasília José Maria Rodrigues, coordenador geral de apoio à manutenção escolar do FNDE, e Renata Maia-Pinto, líder da frente de pesquisa do barco.
Os pesquisadores passaram o dia inserindo no sistema os dados coletados em pesquisa durante a semana. No sábado, às 10h da manhã, o barco Natureza saiu de Santarém em direção ao município de Óbidos, também no Pará. Após subir o rio Tapajós e entrar pelo Sururu, a embarcação chegou ao rio Amazonas. Seguindo contra o fluxo do Amazonas, o Natureza atracou no porto da cidade de Óbidos, sede do município.
O porto de Óbidos, em frente à garganta do Amazonas. Foto: Fábio Tito
Apontada como a cidade mais portuguesa da linha do Equador, Óbidos possui diversos edifícios tombados como patrimônio histórico. As construções no local começaram a ser feitas em 1697, fundando a base de um forte que garantiria o domínio português no rio Amazonas. O ponto é estratégico, pois fica à beira de uma garganta que é passagem obrigatória de quem sobe ou desce o rio.
A área de várzea do município é extensa e possui diversas escolas. Logo que chegou, a equipe de pesquisadores foi surpreendida por uma notícia inesperada. "As escolas de várzea entram de férias na época da cheia do rio. As aulas acabaram no final de março", avisa Irami Canto Tavares Filho, coordenador de transporte escolar do município. Segundo ele, as 31 escolas que ficam na várzea seguem um calendário diferente, que vai de julho ou agosto de um ano até março do ano seguinte - o período de seca. "Durante a cheia, muitas escolas na região ficam alagadas e é impossível ter aula", justifica.
No domingo (11), o coordenador guiou os pesquisadores de lancha até Igarapé Grande, que fica na região de terra firme mas possui grandes lagos entre as comunidades. Lá as escolas seguem o calendário regular, e alguns estudantes precisam ir de barco até a aula. A equipe visitou alguns barqueiros que fazem o trajeto desses alunos e programou as rotas a serem acompanhadas no início da semana.
O secretário municipal de Educação e o
coordenador de transporte escolar conversam com
o pesquisador Marcelou Bousada. Foto: Fábio Tito
Na volta, os pesquisadores entrevistaram o secretário municipal de Educação, Edson de Pádua. Ele também falou sobre a complexidade dos calendários escolares no município, e ressaltou a longa jornada que os estudantes às vezes precisam enfrentar por causa do transporte. "Há crianças que saem de casa às 9h para assistirem aula à tarde, e só chegam de volta em casa às 21h. Isso faz que o tempo de convívio com a família seja muito pequeno", afirma. Em sua opinião, uma alternativa de transporte mais rápido ajudaria muito a evitar situações como essa.
Por Fábio Tito, de Óbidos

O interior de Aveiro e as dificuldades para acompanhar jogos de futebol

A quinta-feira (8), segundo dia de trabalho no município de Aveiro (PA), foi dedicada a acompanhar rotas escolares que levam às vilas de Fordlândia e Urucurituba. Os alunos são habitantes de vilas ribeirinhas à beira do Tapajós, em suas duas margens e em entradas criadas pela cheia do rio.
Fordlândia, cidade construída por americanos na primeira metade do século XX. Durante
a II Guerra Mundial, muitos seringueiros vendiam borracha à fábrica da Ford. Foto: Fábio Tito
De sua casa na comunidade de Campo Alegre, Breno Amorim Azulay precisa cruzar o rio de barco para chegar à escola Sagrado Coração de Jesus, em Fordlândia, onde cursa o 3º ano. Começando o último ano do Ensino Médio nesta semana - o início das aulas estava atrasado -, o rapaz já tem planos para o futuro. "Quero fazer Administração em Santarém, e depois eu e meu primo temos vontade de abrir uma loja de informática por lá mesmo ou em Itaituba", afirma. Breno já fez três cursos na área em Aveiro, aonde costuma ir duas vezes por mês.
Sobre a escola, ele conta da mudança que houve do ano passado para este. "Agora as aulas vão ser em módulos, uma disciplina por vez. Os professores dão aula da mesma matéria por algumas semanas, aplicam todas as provas e seguem para outras comunidades", explica. O problema é que, pelo menos nesta primeira semana, Breno está tendo que esperar na escola antes de ter aula. "Hoje ficamos esperando até as 16h, porque os professores estavam dando aula para as outras séries", diz, já no caminho de volta para casa.

Vaquinha para ver futebol
Não é difícil descobrir o time da paixão de Breno, já que seu caderno é coberto de adesivos com o escudo da equipe. "Sou corintiano fanático, o difícil é que lá onde moro a maioria é flamenguista", afirma em tom de brincadeira. O jovem conta que há 4 meses a prefeitura parou de mandar óleo diesel para o motor gerador de energia da comunidade. Quando tem jogo da Libertadores, juntamos dinheiro para comprar óleo e assistir. Mas tenho que ver o jogo do Flamengo mesmo, que quase sempre é o que transmitem. Fico sabendo do Corinthians só no intervalo", diz, insatisfeito.
Breno fez questão de se vestir o uniforme para a foto.
Ao fundo, o rio por onde ele vai à escola. Foto: Fábio Tito
São necessários 3 litros de diesel para ver a partida inteira, e o litro é vendido a R$ 2,50. "Fico bravo quando espero para ver os gols do Corinthians no intervalo e eles não mostram, dá vontade até de desligar o motor", brinca. Seu sonho é ver um Corinthians e Flamengo da arquibancada do estádio, e de preferência com o Timão ganhando. "A maioria dos meus primos é flamenguista, eu iria tirar muita onda com a cara deles", diz.

Vida de trabalho

Nascido em Cajazeiras, interior da Paraíba, José Avelino da Silva está com 86 anos e é o bisavô do corintiano Breno. O senhor mora em Campo Alegre desde os cinco anos de idade, quando seu pai se mudou com a família para a Amazônia. "Naquela época, quando o povo queria viajar pra Amazônia, ia primeiro consultar o Padre Cícero. Papai foi lá e teve a benção", conta.
A família veio atrás das promessas da borracha, que pagava muito bem aos seringueiros. Mas José lembra que sua experiência profissional começou ainda antes, na Paraíba. "O primeiro serviço que fiz foi aos cinco anos, colhendo algodão com meu pai. É o serviço mais fácil que tem na agricultura, porque não tem o trabalho de preparar o produto depois que colhe", afirma.
Seu José mora na Amazônia há 81 anos. Ele perdeu um dedo
do pé devido a uma picada de cobra. Foto: Fábio Tito
Como seringueiro, os momentos mais traumáticos foram com cobras venenosas. "Quase morri três vezes, já fui picado por salamanta, surucucu e jararaca. Naquele tempo não tinha bota, a gente trabalhava descalço mesmo", explica. Foi numa dessas que ele perdeu o dedinho do pé, que ficou necrosado após a picada. Mas saúde ainda há de sobra. "Ele ajuda nas tarefas, até hoje corta toco pra fazer lenha. Só não faz mais coisa porque meus avós não deixam", revela o bisneto.
Por Fábio Tito, de Aveiro

Pesquisa do Transporte Escolar Rural chega a Aveiro, no Pará

Após cruzar os limites do município de Santarém, o barco de pesquisadores do transporte escolar chegou ao município de Aveiro, ainda no estado do Pará. A equipe atracou em Tavio, vila que fica à margem do rio Tapajós, e novamente se dividiu em duas para acompanhar diferentes rotas escolares dentro do município, até colégios que ficam nas comunidades de Açaituba e Tavio.
O barco Natureza, atracado à margem
da comunidade de Tavio. Foto: Fábio Tito
Na cidade de Aveiro, sede do município, membros da equipe estiveram com Gilmar Lira Lopes, secretário municipal de Educação. Ela falou sobre a situação das escolas e mostrou dados sobre alunos do município. "Mais de 550 estudantes usam o transporte escolar todos os dias. E em torno de 80% das rotas são feitas em embarcações", afirma.
Os pesquisadores Marcelo Bousada, Ana Paula Martins e Diego Baravelli acompanharam a curta rota matutina que leva alunos do Lago do Tavio até Tavio. O trajeto, que de barco demora 1 hora e 20 minutos, levou apenas 20 minutos com a lancha usada de protótipo na pesquisa.
Em Açaituba, que fica à beira do rio Cupari, os pesquisadores André di Monaco e Amanda Obélius acompanharam a longa rota do barqueiro que sai às 10h da manhã para apanhar 17 alunos do turno vespertino, habitantes de comunidades que ficam ao longo do mesmo rio. O barco chega de volta a Açaituba pouco antes da aula começar, às 12h40.

Brincadeiras
A comunidade tem muitas crianças, que a princípio apenas observam de longe, tímidas. Mas após qualquer sinal de amizade elas já cercam os visitantes, mostrando as brincadeiras e posando para fotos. Cada clique era seguido de um coro de "Cadê? Cadê?", dos meninos querendo se ver no visor da câmera. Para brincar de pular corda e futebol, eles vão até a escola pedir corda e bola emprestados. No pique-bandeirinha, eles escolhem dois galhos do mato e os colocam em pontos distantes da área aberta entre o rio e a vila. Alguns meninos menores abrem mão dos jogos e preferem brincar na lama, formada pela chuva de mais cedo.
Crianças de Açaituba se divertem com jogos e brincadeiras. Foto: Fábio Tito
Volta aos estudos
Ainda pela manhã, o pesquisador Diego Baravelli chamou a atenção para algo que ouviu na escola de Tavio. "Nos contaram que algumas meninas têm deixado de estudar bem cedo, aos 12 ou 13 anos, porque decidem se casar", relata. Foi mais ou menos o que aconteceu 17 anos atrás com Maria Katicilene Matias Pereira, moradora de Godinho, comunidade à beira do rio Cupari. "Quando engravidei e tive meu primeiro filho, ficou muito difícil de ir à escola e acabei largando os estudos", lembra.
Katicilene e os três filhos que ainda moram com ela. A pequena
venda fica na sala de entrada da casa. Foto: Fábio Tito
Hoje aos 32 anos e com quatro filhos, Katicilene é merendeira da escola de Ensino Básico de sua comunidade e está estudando novamente. "Três anos atrás, acabei a 3ª e a 4ª séries na EJA (Educação para Jovens e Adultos), e este ano comecei a 5ª série na escola em Açaituba", afirma. Ela vai ao colégio de barco com dois de seus filhos e frequenta a mesma turma da filha mais nova. Mesmo estando agora mais próxima, a mãe estudante considera que acompanhava melhor os estudos dos filhos antes, quando apenas trabalhava. "Eu tinha mais tempo para isso. Agora não consigo nem eu mesma estudar direito", diz, rindo.
O motivo para voltar a estudar é simples. "Pelo conhecimento, que é muito importante", resume. Além de trabalhar como merendeira, Katicilene tem uma pequena venda em casa, a qual abastece com alimentos o vilarejo onde a família mora. "No futuro a gente pensa em mudar, talvez no ano que vem. Gostaria de abrir uma loja em Santarém. Não quero ser empregada, quero ser empregadora", planeja.

Pais e alunos de Tavio, no município de Aveiro, se reuniram para
saber sobre a pesquisa de Transporte Escolar Rural. Foto: Fábio Tito
Apresentação
Ao fim do dia, a equipe apresentou o DVD da pesquisa sobre ônibus rural para a comunidade de Tavio. Os ribeirinhos se reuniram em uma sala da escola, onde a apresentação foi projetada. Marcos Fleming, responsável por todas as frentes da pesquisa sobre transporte escolar, mostrou o balanço como modelo do que se pretende fazer com os dados adquiridos no acompanhamento de rotas escolares hidroviárias. O coordenador geral de apoio à manutenção escolar do FNDE, José Maria Rodrigues, também acompanhou a apresentação.
Por Fábio Tito, de Aveiro

Comunidades de Santarém recebem os pesquisadores

Seguindo contra o fluxo do  rio Tapajós no município de Santarém (PA), a equipe de pesquisadores do CEFTRU atracou na madrugada desta terça-feira, dia 6, em uma prainha próxima à vila de Boim. Foram acompanhadas as rotas de barco que levam às escolas São Raimundo Nonato e Santo Inácio Loyola, respectivamente nas comunidades de Nova Vista e Boim.
Um fato importante observado em Santarém é que as escolas deste município estão servindo merenda, prática que não era comum em locais visitados anteriormente. As instalações em geral são boas, a escola Santo Inácio Loyola, por exemplo, possui biblioteca e sala de informática. Por outro lado, as aulas no Ensino Médio lá mesmo em Boim ainda não haviam começado. Estavam marcadas para iniciar na quarta-feira, dia 7 de abril.
Ao chegar em Nova Vista, as crianças precisam pisar
na água para descer do barco. Foto: Fábio Tito
Em Nova Vista, a secretária Marilene Rodrigues Xavier, de 26 anos, falou ao blog TER Pesquisa. Ela sempre viveu em uma comunidade próxima chamada Nuquini, que hoje abriga 45 famílias, mas lembra que as dificuldades para estudar eram maiores no passado. "Eu acordava às 4h da manhã e levava 2 horas de bicicleta para chegar à escola. Tenho um irmão mais novo que, de barco, faz a mesma distância em 30 minutos".
Marilene considera que o caminho árduo no passado fazia com que os alunos levassem mais a sério os estudos. "Hoje, com as facilidades, tem menino que chega até a escola e prefere matar aula. Acho que falta acompanhamento dos pais, que deveriam demonstrar interesse no aprendizado dos filhos indo às reuniões no colégio, cobrando leitura, taboada...", afirma.

Lendas e folclore
Esberty Xavier da Rocha, mais conhecido em Nova Vista por Seu Bebé, não aparenta os 79 anos que carrega. Ele é o pai de Deusa, merendeira da escola São Raimundo Nonato, e foi ela que avisou que o pai é bom de conversa. Seu Bebé e a mulher, dona Diva, 77, recebem as visitas de forma humilde e atenciosa sentados à mesa de madeira ao lado da cozinha, e não demoram a engatar nas histórias. "Estamos com 54 anos e seis meses de casados", afirma o senhor. "Está certinho!", a esposa confirma.
Perguntado sobre as lendas e histórias do passado, Esberty recorda de trabalhar no mato como seringueiro e ouvir barulhos estranhos ao redor. "Era grito, assovio, cantoria de galo no meio do dia, batidas no chão. E também tinha gente que falava na Curupira, que endoidecia os homens com o canto dos passarinhos e fazia com que eles perdessem o rumo", conta. "Mas é só não mexer com esses bichos que eles não te perseguem."
Seu Bebé lembra de diversas histórias antigas dos quase oitenta anos vivendo no interior. Foto: Fábio Tito
A história contada com mais convicção pelo casal é a de duas cobras irmãs que viviam pela região. "Uma mulher pariu as cobras lá na comunidade de Apaci, que também fica na beira do (rio) Tapajós. Uma se chamava Noratinho, a outra, Maria", diz Esberty. "A mãe os criou numa cumbuca e até os amamentava", completa a mulher. Segundo eles contam, Noratinho fazia o bem e Maria fazia o mal. Quando eles cresceram e não couberam mais na cumbuca, a mulher os soltou no mato.
"Eles viviam brigando muito pelas matas, o pessoal de vez em quando ouvia as brigas. Até que uma vez, depois de três dias de luta, Noratinho matou Maria", relata dona Diva, sem sombra de dúvidas. "De vez em quando o Noratinho baixa nos cordões dos curadores da região", afirma seu Bebé. Os 'curadores' são curandeiros, que usam magia para sarar o povo de doenças e para outros fins. No passado, essas figuras eram mais comuns nas comunidades do interior da Amazônia.
Por Fábio Tito em Santarém

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Coordenador do FNDE acompanha visita a escola em Anumã, à beira do Tapajós

Divididas as equipes para as rotas da tarde de segunda-feira (5), os pesquisadores Diego Baravelli, Amanda Odelius e a líder Renata Maia-Pinto fizeram o estudo da rota que leva alunos da comunidade de Santi até a escola Santa Rita de Cássia, na comunidade de Anumã. O coordenador geral de apoio à manutenção escolar do FNDE, José Maria Rodrigues, acompanhou a visita ao colégio.
José Maria Rodrigues, representante do FNDE, conversa com crianças e alunos ao lado de Renata Maia Pinto, líder do projeto. Foto: Fábio Tito
Segundo Grasiani Gilberto de Souza Pereira, auxiliar responsável pela escola, 80 estudantes assistem às aulas diariamente, dos quais 17 utilizam um barco para chegar até lá. "São alunos que moram em comunidades do outro lado do rio e vão a pé ou de bicicleta até o ponto em que o barqueiro os apanha", explica Pereira. O barqueiro foi contratado pelo município de Santarém há dois anos. Antes disso, alguns pais faziam a travessia dos estudantes.
O responsável pela escola também falou sobre crianças e adolescentes na região que deveriam estar na escola mas não se matriculam. "Muitos casos são por falta de interesse deles mesmos, outros são pela condição financeira da família", afirma. De acordo com ele, os alunos só recebem do governo a camisa do uniforme, e as famílias maiores têm gastos significativos para manterem todos os filhos na escola.
Antes da aula, algo inédito na pesquisa: à frente das bandeiras do Brasil, Pará e Santarém, as crianças foram alinhadas para cantarem o Hino Nacional, acompanhando a canção tocada no aparelho de som.
As bandeiras são erguidas durante o Hino Nacional na escola Santa Rita de Cássia, em Anumã. Foto: Fábio Tito
Além do auxiliar responsável, os pesquisadores também entrevistaram duas alunas que fazem a rota pelo rio todos os dias, além do barqueiro e do pai de uma das crianças que utilizam o barco. De presente, ganharam duas melancias produzidas no quintal da casa do barqueiro.

Crianças curiosas observam
a lancha do projeto. Foto: Fábio Tito
Alunos sem transporte
A outra equipe, formada por Marcelo Bousada, André di Monaco e Ana Paula Martins, foi às escolas das comunidades de Vila Amorim e Cabeceira do Anselmo. Elas fazem parte do pólo José de Melo Silva, que possui em suas unidades um total de 500 alunos. Os pesquisadores verificaram que nenhuma das rotas nesse pólo possui transporte de barco oferecido pela prefeitura. "Os alunos têm que dar um jeito para chegar até a escola. Uma professora nos contou que há crianças que chegam a remar por mais de uma hora para irem às aulas", afirma o antropólogo Marcelo Bousada, pesquisador do projeto.
Devido ao deslocamento entre Anumã e Vila Amorim, a equipe não chegou a tempo para acompanhar as rotas do período matutino. À tarde, os alunos que utilizam o rio para ir ao colégio não tiveram aula, por isso a equipe não conseguiu acompanhar nenhuma rota neste dia.
Por Fábio Tito, de Santarém

Coordenador do FNDE integra equipe do Barco Natureza

O Coordenador Geral de apoio à manutenção escolar do FNDE, José Maria Rodrigues,está no barco Natureza e passará quatro dias acompanhando a rotina dos pesquisadores no interior do município de Santarém (PA). Houve também a troca de membros no barco. Ana Paula Antunes Martins chegou na sexta-feira (2) para substituir Henrique Coelho na função de apoio e ajudar os pesquisadores na coleta de dados.
Em reunião com a secretária municipal de Educação de Santarém, Lucineide Gonçalves Pinheiro, a equipe planejou ainda no domingo as rotas escolares a serem traçadas ao longo da semana. Em seguida, em comemoração à páscoa, eles receberam caixas de chocolate, encomenda enviada pela equipe do CEFTRU em Brasília.Depois de sair de Santarém à meia-noite, o barco Natureza viajou durante a madrugada de segunda-feira e chegou à vila de Anumã às 7h30 da manhã.
O coordenador Marcos Fleming, a líder Renata Maia-Pinto e o representante do FNDE José Maria Rodrigues recebem mães de alunos da comunidade de Anumã no barco Natureza. Foto: Fábio Tito
No caminho das rotas escolares -  Ficou decidido que a equipe se dividiria em duas para traçar rotas vespertinas de alunos que saem de vilarejos próximos para assistirem as aulas em Anumã.
À beira do rio Tapajós, Anumã abriga três igrejas, escola e diversas casas espalhadas ao redor. Erlinton Gomes Correia, de nove anos, é uma das crianças que frequenta a Escola Santa Rita de Cássia, que fica no centro da vila. "Vêm meninos de Santi, Carão e Americano (vilas próximas) para estudar aqui, a maioria de barco", afirma o garoto. Quando era menor, ele morava em Santarém, mas diz preferir a vida no interior. "É mais tranquilo, menos perigoso", considera.
Erlinton, à esquerda, com os amigos Jackson e Joelson, todos estudantes da escola em Anumã / Foto: Fábio Tito
Quando não está na escola, Erlinton ajuda os pais. "De manhã vamos até Carão vender tapetes e cortinas que minha mãe faz. E quando saio da aula no final da tarde vou pescar com meu pai e um de meus irmãos", conta. Sábado e domingo a pesca também é necessária. Erlinton tem oito irmãos. Os dois mais velhos, de 15 e 22 anos, vivem em Santarém estudando e trabalhando. Para ajudar na alimentação, a família planta mandioca, arroz e milho. "Mas quando não nasce a gente precisa comprar na feira pra ter o que comer", lembra o menino.
Por Fábio Tito, de Santarém

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Custo aluno, gestão e transporte escolar aquaviário: as equipes estão no campo


Em Castro, no Paraná, o eng Willer Carvalho explica a pesqu
Equipes de pesquisadores  do estudo sobre o Transporte Escolar Rural –TER – uma parceria do CEFTRU com o FNDE, estão a campo em diferentes partes do País em busca de dados e também testando a metodologia com ênfase nos principais focos dessa nova sondagem. O trabalho que se desenvolve desde 2005 está agora na fase de coleta de informações para a vertente custo-aluno, gestão do transporte escolar rural e ainda transporte aquaviário na região amazônica. A equipe da gestão já se encontra em campo, e passará por 11 municípios, a equipe do barco Natureza  já percorreu sete dos 17 municípios da Amazônia e o grupo da sondagem sobre o custo-aluno 
está em campo, atualmente no município de Santarém devendo visitar no total 10 municípios.

 Gestão- Na tentativa de conhecer  no local a gestão do transporte escolar rural  a equipe do grupo de gestão  realizou entre os dias 24 e 26 de março o trabalho de campo no Paraná, no município de Castro, para conhecer o sistema de gestão e rastreamento de veículos de transporte adotados na cidade. Ali o gerente do projeto no Ceftru, o engenheiro Willer Carvalho, e toda a equipe de pesquisadores, fizeram reuniões com o secretário municipal de educação, Carlos Eduardo Sanches, e se familiarizaram  com o atendimento, a prestação de serviço público de transporte escolar rural oferecido pelo município. O sistema de gestão do município é considerado singular e, segundo Willer Carvalho, tem uma boa evolução que pode servir de modelo para outros municípios. Daí o interesse dos pesquisadores em conhecer de perto aquela realidade.
A equipe de gestão começou a coletar informações em 11 municípios que abrangem as 5 regiões brasileiras e que utilizam o transporte escolar rural. A pesquisa piloto em Unaí – MG, entre os dias 10 e 11 março, continuou em Corumbá – MS entre 15 e 16 de março. Dos 9 municípios restantes, 2 foram visitados nos dias 22 e 26 de março. A partir do dia 5 abril até o dia 16 os municípios de Mangaratiba – RJ, Nova Venécia – ES, Patos – PB, Jataí – GO, Rio Verde – GO, Costa Rica – MT e Marabá – PA serão pesquisados por duas equipes. 

Em Breves (PA) crianças chegam na escola Foto -Diego Baravelli 
O barco Natureza  e o transporte aquaviário - Falta de  embarcações adequadas, longas distâncias que exigem  dos alunos caminhadas de até trinta minutos para chegar a um trapiche e  pegar um barco  que vai percorrer ainda distâncias de duas a três horas pelas águas, com muitas paradas, porque há sempre mais alunos do que barcos. Esses  são alguns  dos inúmeros  problemas que os estudantes da Amazônia enfrentam para chegar à escola.   A equipe da Pesquisa do Transporte Escolar Aquaviário esteve até agora em 7 municípios do Pará, dos 17 selecionados para receber a equipe da UnB que trabalha em parceria com o FNDE.  Na região paraense onde as enormes distâncias são percorridas só de barco há escolas onde todos os alunos e professores  dependem de uma embarcação e muitas horas de viagem para ter acesso às salas de aula.A Pesquisa do Transporte Escolar rural busca traçar um primeiro esboço dos problemas que os ribeirinhos encontram para chegar à escola e também indicar soluções. A equipe de pesquisadores começou o trabalho de campo no dia 08 de março saindo de Belém. Até agora foram percorridos os municípios de  Santa Cruz do Arari, Abaetetuba, Breves, Gurupa, Almeirim e Santarém. O barco se encontro esta semana em Aveiros no Pará. O barco retorna a Santarém no sábado dia 10 de abril.

Custo do transporte escolar rural - Um dos maiores pesos no orçamento dos municípios está nos gastos com o transporte escolar rural. Entender essa realidade no modo aquaviário é um dos desafios da equipe que percorre diferentes regiões do país coletando informações para subsidiar o estudo sobre o custo desse transporte. Todas as 3 equipes dessa frente econtram-se, nessa semana, em Santarém - PA, e depois cada uma se desloca para diferentes regiões a fim de entender realidades distintas do transporte escolar rural no modo aqueviário no Brasil.